domingo, 28 de novembro de 2010

É chegada a hora de mudar a “Constituição Bandida”

O sacrifício dos inocentes só pode ter alguma justificativa se for acompanhado pelo sacrifício dos criminosos. Mas um sacrifício legal — com prisão perpétua ou pena de morte — e não esse sacrifício clandestino ou acidental que existe hoje.

Ulysses Guimarães chamava a Constituição de 88 de “Constituição Cidadã”. Eu chamo de “Constituição Bandida”. No país dos 50 mil homicídios anuais, ela proíbe taxativamente a pena de morte e a prisão perpétua, transformando o Brasil numa República de Bandidos, em que o crime, de fato, compensa. É com base nessa Constituição que o Supremo solta criminosos seriais e outros monstros do gênero, como os bandidos que puseram fogo em Tim Lopes no Rio e, agora, estão tendo de ser caçados com o sacrifício de inocentes crianças, tratadas como entulho humano no caminho de policiais e bandidos.
Praticamente todos os bandidos que estão sendo caçados agora nessa guerra já tiveram reiteradas passagens pela polícia. O que significa que não temos cadeias, mas peneiras institucionais. E elas vão continuar sendo peneiras, pois não existe a menor chance de se mudar a legislação penal. A própria Constituição, nas cláusulas pétreas, é leniente com o criminoso, ao descartar a possibilidade da prisão perpétua (não digo nem pena de morte). E a Justiça, por mais que fique falando em regime diferenciado para os chefões que serão presos neste Iraque tropical, só vai mantê-los na cadeia até passarem a Copa e as Olimpíadas. O que, convenhamos, é pouquíssimo tempo.
Se a oposição no Brasil fosse formada por gente séria e não por covardes e bestalhões como Serra, Fernando Henrique e os Maias, era hora de se propor mudanças na Constituição. Não para fazer a reforma política, como quer o governo petista, mas para promover a imprescindível reforma moral do país — que deveria começar com a oposição mostrando a histórica cumplicidade da esquerda com o banditismo que levou a segurança pública do país à falência. O sacrifício dos inocentes só pode ter alguma justificativa se ele for seguido pelo sacrifício dos criminosos. Mas um sacrifício legal (com prisão perpétua ou pena de morte) e não esse sacrifício clandestino ou acidental que existe hoje. A elite covarde é quem gosta de pena de morte clandestina para poder continuar exibindo seu bom-mocismo.
Como nada disso vai ocorrer, o sangue inocente está sendo derramado em vão. Estou certo que vai se repetir no Rio o que aconteceu naquele famoso seqüestro da menina Eloá em Santo André: a polícia age não para garantir a vida da vítima, mas a do bandido. E ainda se orgulha quando consegue isso. Quando o AfroReggae entregar ilesos seus parceiros do tráfico, e eles perfilarem altivos para as câmeras a caminho dos motéis-presídios, o Beltrame ficará orgulhoso e, por sobre os cadáveres dos inocentes, haverá de bradar: “Este é o nosso projeto para o Rio de Janeiro!”

Um comentário:

Oliveira Jr disse...

Numa palavra: Bravo!

Excelentes textos e visão da realidade. Imprescindível aos que querem conhecer o que está acontecendo bem debaixo dos narizes e não fazem a menor idéia de onde conseguir.