domingo, 28 de novembro de 2010

Governo mata inocente para buscar bandido que ele mesmo soltou

O Estado tucano-petista (incluindo a Justiça) que obriga crianças pobres a engolirem criminosos em seu meio, sob o pretexto da inclusão, de repente contradiz tudo o que praticou durante décadas e invade as casas de família atirando e matando inocentes.

Durante o processo eleitoral, os manos Lula e Sérgio Cabral venderam a utopia de que as tais UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) tinham “pacificado” o Rio de Janeiro. Até José Serra acreditou e, como sempre, não soube fazer oposição, deixando de desmascarar essa política de segurança pública do governo Lula, que é tão criminosa quanto os próprios bandidos.
O conceito de “pacificação” em referência ao crime mostra que o Estado constituído está reconhecendo o Estado paralelo. É sinal de que o bandido não está sendo devidamente tratado como um fora-da-lei, mas como uma força beligerante legítima, com a qual se pode assinar tratados de paz. A UPP é o coroamento da histórica aliança entre esquerdas e bandidos que vem desde Lênin, quando ele estava na oposição ao czar.
E, por incrível que pareça, a origem do conceito de “segurança com cidadania”, diretriz do Pronasci e das UPPs, tem origem nas escolas. Sim. Na educação. O que é um absurdo. O Núcleo de Estudos da Violência da USP, liderado pelos sociólogos Sérgio Adorno e Paulo Sérgio Pinheiro (que foi ministro de FHC), defende a tese de que é preciso “capacitar” o jovem para ser um “mediador de conflitos” nas escolas. E estamos falando de conflitos que chegam a envolver o uso de arma e a venda de drogas.
O operário coloca seu filho na escola pública, achando que o está preparando para uma vida melhor, no entanto, ele será “capacitado” pelo próprio Estado para conviver com bandido, como se fosse a coisa mais natural do mundo mediar conflito com traficantes, homicidas, ladrões etc. Tão natural que até adolescentes — como propõe a sociopatia travestida de ciência das universidades — são chamados a exercer essa função.
O governo Lula tomou emprestada essa idéia dos pedagogos socioconstrutivistas — que já vinha sendo aplicada na educação — e levou para as zonas do tráfico, criando as UPPs, versão adulta da mediação de conflitos nas escolas. Para essa gente, todo bandido, independente da gravidade de seu crime, é um “reeducando”.
Praticamente todas as crianças pobres em idade escolar — em todas as cidades brasileiras —  nasceram e cresceram nessa atmosfera. Nunca viram um outro mundo. O mundo que conhecem é esse, em que o crime foi naturalizado pelo próprio Estado. Agora, esse mesmo Estado que obrigou todas as crianças pobres a engolir criminosos em seu meio, a pretexto de incluí-los, de repente contradiz tudo o que pregou e praticou durante décadas e invade as casas de famílias atirando e matando.
O próprio Supremo Tribunal Federal não é autor de uma propaganda criminosa em que quer nos obrigar a receber em nossa casa, de braços abertos, todos os bandidos? O próprio Supremo não soltou antes do tempo todos os bandidos que queimaram Tim Lopes, para que eles tivessem uma nova chance em sua comunidade? Com que autoridade, então, o Estado entra na favela para buscar esse bandido altamente perigoso que ele mesmo soltou de modo irresponsável? Será que ninguém é capaz de perceber a tremenda injustiça que há nisso tudo? Para o bandido hediondo, reiteradas chances garantidas em lei; para o cidadão inocente, apenas a chance que o acaso lhe der sob o fogo cruzado.
E notem que, mesmo sob fogo cruzado, o bandido continua tendo muito mais prerrogativas do que o cidadão comum. Este é tratado como um trambolho pelos bandidos e pela polícia. Enquanto isso, o Estado não trata os bandidos como bandidos, mas como soldados de um Estado adversário. O que significa que eles terão as mesmas garantias que, nas guerras, têm os generais.
Façam uma pesquisa. Desde 1994, no governo Itamar Franco, quando ocorreu a primeira incursão do Exército nos morros cariocas, raramente um traficante de alta patente morre nesses confrontos. Se não me engano, não morreu nenhum. Quando os comandantes do tráfico percebem que vão perder a guerra, eles se entregam. Só morre na luta quem está na linha de frente: os menos graduados no crime, inclusive crianças.
Como não há pena de morte nem prisão perpétua e até a Lei dos Crimes Hediondos foi revogada, os comandantes dos morros não são tolos para morrer lutando. Quando os peixes miúdos da linha de frente são presos ou mortos, os chefões na retaguarda se entregam ilesos. Com as leis frouxas que temos, cadeia para eles não é prisão, mas quartel-general. É a trégua necessária para reconstituírem forças, protegidos pelo próprio Estado. Tanto isso é verdade, que o coordenador do AfroReggae, José Júnior, já foi chamado pelos traficantes do Complexo do Alemão para negociar com a polícia.
A leniência do Estado vai mudar com os que serão presos agora? De jeito nenhum. Gente como Lula, Gilmar Mendes, Sérgio Cabral e os intelectuais universitários jamais admite que se fale em pena de morte ou prisão perpétua para bandido, mesmo que esse bandido seja um monstro que queima pessoas e atira em perna de criança que se recusa a queimar carro. "Prisão perpétua é nazismo! Os bandidos também são humanos", gritam. Já os inocentes mortos, como a menina de 14 anos que tombou na guerra do morro, eles tratam como mera estatística.

Um comentário:

Chris disse...

Olá, José.Fiquei interessada (e assustada) nessa idéia de capacitar jovens para mediar conflitos. Existe algum trabalho específico de algum dos autores citados que você possa indicar ?