domingo, 11 de março de 2012

Escolas públicas poderão distribuir pílulas do dia seguinte

É o que se depreende da declaração de uma autoridade federal em reportagem publicada pela Folha de S. Paulo, neste domingo (11/03/2012).
O Ministério da Saúde pretende facilitar o acesso à pílula do dia seguinte no SUS e, provavelmente, nas próprias escolas da rede pública – é o que mostra reportagem da Folha de S. Paulo publicada neste domingo (11/03/2012). Segundo o ministério, o precário acesso à pílula não é por falta do medicamento, uma vez que o Ministério da Saúde já disponibiliza, por ano, 770 mil cartelas, gratuitamente, nos postos de saúde. E nas farmácias privadas são vendidas anualmente mais de 5 milhões de cartelas. Ocorre que grande parte dos postos de saúde impõe algumas restrições para a distribuição da pílula, entre elas, a receita médica. E no caso de adolescentes, costuma-se exigir a presença dos pais ou responsável.
Segundo o secretário nacional de Atenção à Saúde, Helvécio Magalhães, “o ministério vai usar a estrutura do programa ‘Saúde na Escola’ para ampliar a divulgação dos métodos anticoncepcionais entre os adolescentes”. Ou seja, uma vez que esse programa não se limita a fornecer apenas educação sexual teórica e já distribui camisinhas nas escolas, é provável que irá, a partir de agora, distribuir também a pílula de emergência para as alunas.
Diz ainda a reportagem:  “Ele [o secretário de Atenção à Saúde] reconhece a falta de campanhas educativas maciças sobre contracepção, mas diz que elas vão acontecer em breve. "Isso não tinha entrado na agenda política, mas é fundamental para prevenir gravidez indesejada."
Reparem no absurdo dito pelo secretário e corroborado pela reportagem. Há mais de duas décadas, em função da Aids, o governo não faz outra coisa senão apresentar a camisinha como a solução de todos os problemas da humanidade, em campanhas que vão das redes de TV ao transporte coletivo das cidades de médio e grande porte. O que é isso senão campanha de massa contra a concepção?
Se a distribuição maciça de camisinha não reduziu satisfatoriamente os casos de Aids nem de gravidez indesejada, por que agora surtiria efeito? É só mais uma forma de gastar dinheiro público à toa. Ao se distribuir em massa a pílula do dia seguinte nos postos de saúde, mesmo quem pode comprá-la na farmácia vai optar por recebê-la de graça do Estado – à custa de todos os contribuintes que nada têm a ver com as irresponsabilidades de cada um.

Nenhum comentário: